A engrenagem que falta

Sinais de recuperação da indústria em 2018 oferecem um cenário promissor para o Rio Grande do Sul, estado com maior soma de receitas e patrimônios da região Sul

Quem examinar as posições mais privilegiadas do ranking gaúcho sentirá falta de um maior protagonismo da indústria. Gerdau, a maior do estado e da região Sul, e Yara, estão entre as poucas companhias industriais que ocupam os lugares mais seletos da lista. É o reflexo de um ano difícil – em 2017, o PIB rio-grandense cresceu apenas 1%, e se não se saiu pior foi graças à agropecuária. A indústria avançou imperceptíveis 0,2%. “Temos uma economia peculiar em relação ao PIB nacional: a nossa está formada em cima de pequenas e médias empresas e na agropecuária. Com a diminuição de competitividade das pequenas empresas, acabamos dependendo das safras”, avalia o economista Marcos Tadeu Lélis, professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos

Esta limitação não impediu, no entanto, que as companhias gaúchas presentes no ranking superassem as companhias de Santa Catarina e do Paraná em dois quesitos importantes – soma das receitas e, também, dos patrimônios. Contribuiu para esta superioridade a participação de segmentos ligados a serviços – e vale destacar, em particular, aqueles ligados especialmente ao ramo financeiro. Duas das cinco maiores empresas gaúchas são instituições financeiras: Sicredi, a vice-líder, só atrás da Gerdau, e o Banrisul, terceiro colocado. No âmbito geral das 500 MAIORES DO SUL, o Sicredi se consolidou como a quinta maior companhia do Sul – e a líder, em receita líquida, do setor financeiro, considerados os três estados. O Banrisul, que em 2016 havia ficado em oitavo lugar entre as 500 do Sul, avançou uma posição e fechou o ano de 2017 como o sétimo colocad

Se o cooperativismo de crédito impulsiona o Sicredi, há outros competidores do mercado financeiro aproveitando a boa onda do meio digital. Depois de alterar a marca e virar uma fintech, o Agibank saltou 18 posições e ocupa o 47º lugar. A Getnet, especializada em meios de pagamento, está em 17º lugar, com uma receita líquida de R$ 2 bilhões. Já o Badesul encolheu: a instituição de fomento caiu 11 colocações após ter diminuído sua receita em 25%, passando para o 59º lugar nesta ediçã

Se a indústria é a engrenagem que faltou em 2017, deve-se fazer menção honrosa à performance de grupos como Grendene, Beira-Rio e Renner Herrmann, entre outros. E os excelentes resultados colhidos até o terceiro trimestre de 2018 por titãs como Gerdau, Marcopolo e Randon apontam boas perspectivas para o desempenho das gaúchas na próxima edição de 500 MAIORES DO SUL.