A múltipla Marcopolo

Unidade-Ana-Rech-350Até 2016, a Marcopolo deve encerrar um plano de investimentos traçado em 2007 – e que previa o aporte de R$ 1 bilhão no decorrer de uma década. Embora falte mais de um ano para a rodada ser concluída, já se pode dizer que ela tem sido essencial para a empresa – especialmente diante do aumento da demanda por ônibus no Brasil e no exterior. De acordo com Ruben Bisi, diretor de estratégia e marketing da Marcopolo, os investimentos ajudaram a empresa a se adiantar às novas tendências do setor, como a expansão nas vendas de ônibus escolares e rodoviários.

Além disso, Bisi destaca o bom momento do mercado de micro-ônibus, atendido pela subsidiária Volare – que, hoje, está entre as principais apostas da Marcopolo. Em outubro, a companhia pretende inaugurar, em São Mateus (ES), a primeira fábrica especializada nesse tipo de veículo fora de Caxias do Sul. A planta, cujas obras custaram R$ 35 milhões na primeira fase, vai gerar 200 postos de trabalho e deve ser usada para atender ao mercado externo, com prioridade para os países da América do Sul e da África. Até 2016, quando estiver operando a pleno, deverá empregar cerca de mil pessoas.

A estratégia é vista com otimismo no mercado. Bruno Piagentini, analista da Coinvalores, acredita que a empresa multiplica suas perspectivas de expansão ao apostar na Volare. “A replicação desse modelo lá fora, com o segmento de micro-ônibus, tem potencial de crescimento muito grande”, avalia. Em 2013, a Volare foi um dos negócios que ajudaram a Marcopolo a ampliar suas vendas em 8%, chegando a R$ 4,5 bilhões.

As duas fábricas de Caxias do Sul não foram esquecidas. Juntas, elas receberam R$ 100 milhões em investimentos entre 2012 e 2013. A maior parte foi destinada a ampliações e desenvolvimento de novos produtos. Já a Marcopolo Rio, instalada em Duque de Caxias (RJ), mantém-se como centro de excelência em ônibus urbanos. “Estamos trocando máquinas e equipamentos, investindo pesadamente em P&D e no aumento da capacidade de produção”, salienta Bisi.

Segundo ele, as dificuldades de mobilidade urbana nas grandes cidades tendem a se agravar, o que certamente impulsionará os investimentos em sistemas de BRTs e em novos coletivos. “O mundo não aguenta mais os grandes engarrafamentos. Para nós, esse cenário é positivo”, diz.