As viagens da Marcopolo

Visitar 65 países em um ano parece mais uma aventura destinada a mochileiros corajosos que a agenda de uma empresa. Mas foi esse roteiro de volta ao mundo em 365 dias que a Marcopolo cumpriu, entre o final de 2015 e o ano passado, para ampliar sua atuação no exterior. Batizado de Conquest, o projeto bem que poderia se chamar “Reconquest”. Afinal, a fabricante de ônibus de Caxias do Sul, que começou a exportar na sua primeira década de existência, nos anos 1960, e que hoje tem 12 fábricas espalhadas em nove países, já era reconhecidamente uma empresa de forte atuação internacional. O que a companhia fez foi reencontrar essa veia conquistadora de novos mercados e retomar territórios que tinham ficado, nos anos anteriores, em segundo plano.

É que a forte demanda interna e o câmbio pouco favorável havia feito com que a Marcopolo privilegiasse os negócios no Brasil. Entre 2006 e 2014, a receita doméstica foi superior à de exportações e vendas no exterior. Com a crise brasileira e com o projeto Conquest, a ordem se inverteu pela primeira vez em 2015. No ano passado, a receita advinda de negócios internacionais representou quase 70% do faturamento da empresa. Apesar do crescimento nas vendas em solo brasileiro, no primeiro semestre deste ano, Francisco Gomes Neto, CEO da Marcolopo, acredita que a recuperação não será suficiente para equilibrar a participação nacional na receita tão cedo. “A perspectiva é que isso [receita doméstica menor do que a do exterior] se mantenha ainda em 2017, e também no início do próximo ano. A expectativa do setor é que a produção brasileira seja igual ou levemente superior à de 2016. Crescimento significativo somente a partir de 2018”, avalia.

Enquanto espera uma retomada mais consistente da demanda interna, a Marcopolo continua a colher os frutos do Conquest. Um dos mais recentes é o contrato de exportação de 32 ônibus para o Catar. As negociações com o Oriente Médio foram reabertas no ano passado, após três anos sem fechar vendas para a região. E há no horizonte da empresa a conquista de mais mercados. “A demanda por ônibus em todo o mundo deve crescer. Nesse cenário, novos mercados deverão surgir, e a Marcopolo precisará estar atenta e preparada para atuar”, sublinha Gomes Neto.