Que venham os recordes

Edson_Nassar-350Crescer não tem sido problema para o Sicredi. Com médias de expansão superiores a 20% ao ano, a cooperativa de crédito quase dobra de tamanho a cada quatro anos. O desafio, agora, é consolidar a base de clientes – que, na verdade, não são apenas clientes, mas também sócios da cooperativa. Isso significa aumentar o portfólio de produtos e serviços à disposição, aprofundar o relacionamento e fidelizar o associado.

O Sicredi encerrou 2013 com um volume de ativos de R$ 38,3 bilhões, uma expansão de 24% em relação a 2012. A carteira de crédito rural cresceu no mesmo ritmo e chegou a R$ 10 bilhões. O salto forçou a cooperativa a investir na rede de atendimento: até o final deste ano, serão 95 novas agências em 87 municípios. Com elas, o Sicredi espera encerrar 2014 com novos recordes de crescimento. “Até agora, o ano de 2014 foi o melhor da história em resultado”, revela Edson Nassar, diretor executivo de produtos e negócios do Sicredi.

No acumulado até junho de 2014, foram R$ 617,8 milhões em sobras ajustadas – aproximadamente R$ 134,4 milhões acima do previsto. Nesse ritmo, as sobras devem ultrapassar R$ 1 bilhão neste ano – bem mais do que em 2013, quando chegaram a R$ 803 bilhões. “Quantas empresas você tem com sobras de mais de R$ 1 bilhão? Isso é dinheiro do associado”, diz Edson.

Superintendente do Sistema OCB, órgão máximo de representação das cooperativas no país, Renato Nobile sustenta que a capacidade de falar a língua do cliente é um dos diferenciais de instituições como o Sicredi. “Com suas particularidades, as cooperativas financeiras oferecem produtos e serviços personalizados, idealizados de acordo com a realidade e com as necessidades dos seus associados, orientando-os ao melhor uso dos recursos”, conta. Com esses diferenciais, destaca ele, o cooperativismo de crédito está deixando de ser essencialmente para o produtor rural. “O setor tem conquistado a diversificação de mercados, atendendo aos mais distintos públicos, inclusive nos centros urbanos.”

É exatamente o que vem acontecendo com o Sicredi. Hoje, o campo continua tendo uma grande participação nos negócios da coopeativa – que tem a terceira maior carteira de crédito rural do país. Mas outros segmentos  ganham importância a cada dia. “Temos transações espalhadas pelo país inteiro, em diferentes cidades e segmentos”, afirma Nassar.

Essa mudança de perfil exigiu uma adaptação. Para atender a um público cada vez mais conectado, a cooperativa reestruturou sua plataforma digital – hoje, oferece um aplicativo de smartphone para a realização de transações bancárias. O portfólio de produtos e serviços para empresas também aumentou. “Desmistificamos a ideia do associado Sicredi como homem do campo”, destaca Nassar.