A colheita de todos

Colheitadeiras-Axiais-Flow-350Que o agronegócio é a grande mola propulsora do Brasil, todo mundo sabe. Basta observar os números: em 2013, a soma de todas as riquezas produzidas pelo setor chegou a R$ 1 trilhão, o equivalente a 23% do PIB. Com uma safra de 188,2 milhões de toneladas, o campo respondeu por 41,2% das exportações do país. No Rio Grande do Sul, porém, o peso do agronegócio é ainda mais evidente. Não por acaso, as 100 maiores empresas do Estado registraram resultados expressivos em 2013 – mais ainda depois da estiagem que quebrou a safra (e o PIB) em 2012.

Em 2013, a colheita gaúcha foi de 26,4 milhões de toneladas – a segunda maior da história. Por muito pouco, não superou a safra de 2011, de 26,5 milhões de toneladas. Impulsionado pelos negócios relacionados direta ou indiretamente ao campo, o PIB do Rio Grande do Sul cresceu 5,8% em 2013, a maior alta entre todos os Estados do país. “A riqueza do Rio Grande do Sul passa diretamente pelo setor agropecuário”, afirma Alfredo Meneghetti Neto, professor do Departamento de Ciências Econômicas da PUCRS. Visto isoladamente, lembra ele, o PIB do agronegócio gaúcho subiu 39,7%.

Nesse contexto, as 100 maiores empresas do Rio Grande do Sul experimentaram um crescimento acima do que vinha sendo registrado nos últimos anos. A começar pelo Valor Ponderado de Grandeza (VPG) – indicador que leva em consideração o patrimônio líquido, a receita bruta e o lucro ou prejuízo de cada empresa no ranking. Somados, os VPGs das 100 maiores companhias gaúchas chegou a R$ 108,6 bilhões, um aumento de R$ 6,2 bilhões sobre 2012. No ano anterior, a expansão havia sido de R$ 2,3 bilhões. Já a soma das receitas brutas chegou a R$ 162,7 bilhões, R$ 9,4 bilhões a mais do que em 2012 – e muito acima do R$ 1,9 bilhão de alta entre 2011 e 2012.

Puxadas pelo campo

Diversas empresas que compõem o batalhão de frente do ranking estadual mantêm fortes laços com o segmento agrícola. É o caso do Grupo SLC, um dos maiores produtores de commodities do país. Ao incrementar sua receita bruta em 15,3%, a empresa fechou o ano em R$ 2,6 bilhões e com um VPG 11,1% superior ao de 2012. De quebra, ganhou uma posição na tabela estadual. Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola, diz que uma das razões do bom desempenho está no modelo de produção em grande escala. “Utilizamos máquinas maiores e modernas, o que nos permite cobrir mais áreas e usar menos equipamentos.”  Outro destaque é a Bianchini. Influenciada pela safra de soja e pelo aumento das exportações brasileiras, a companhia emplacou um avanço de 45% no faturamento de 2013. Além disso, novamente liderou a categoria Comércio Exterior de 500 MAIORES DO SUL, com receita bruta de R$ 2,4 bilhões.

Há, ainda, muitas companhias que não produzem nem vendem grãos. Mesmo estas, no entanto, acabam sendo de algum modo influenciadas pelo que ocorre no campo. É o caso do Sicredi, uma das instituições financeiras que mais crescem no sul do país. Com alta de 17% na receita bruta, a cooperativa fechou 2013 com faturamento de R$ 4,8 bilhões, consolidada como a terceira maior do Rio Grande do Sul. Esta posição se deve, em parte, pela capacidade de se inserir com qualidade no setor de crédito agrícola, uma de suas especialidades.  “Nosso crescimento é bem estruturado. A cada quatro anos, a gente quase dobra a operação”, destaca Edson Nassar, diretor do Sicredi.

Para além do agribusiness

Ainda que o agronegócio seja o principal dínamo da economia gaúcha, a tabela das 100 maiores empresas do Rio Grande do Sul também dá espaço à múltiplos – e heterogêneos – setores. No topo do ranking está a Gerdau. Em 2013, a atuação da siderúrgica esteve marcada pela integração de suas operações no exterior e pela retomada da economia norte-americana. Ainda que o excesso de oferta de aço no mundo tenha pressionado para baixo as margens da companhia, a eficiência de sua gestão de custos foi mantida, fazendo com que a receita bruta crescesse 6% – e encerrasse o ano em R$ 45,7 bilhões. Depois de Gerdau, mas mantendo uma longa distância em relação à primeira colocada, aparecem o Banrisul e o Sicredi, seguidos por uma empresa cujos negócios nada têm a ver com o desempenho do agronegócio – a Lojas Renner. Quarta maior empresa do Rio Grande do Sul, a Renner não lidera à toa a categoria de Comércio – Atacado e Varejo de 500 MAIORES DO SUL. Considerada a primeira corporação brasileira, tendo 100% de suas ações negociadas em bolsa, a companhia cresce Brasil afora graças ao aumento do poder de compra da classe C, mantendo um agressivo plano de expansão – principalmente em direção aos mercados do norte e do nordeste.

Representando a indústria automotiva e a força da metalurgia forjada na serra, o ranking dos destaques gaúchos traz ainda multinacionais do peso de Randon, Marcopolo e Tramontina. No setor calçadista, novamente a Grendene pontificou destacando-se como a principal empresa de Couro e Calçados do sul do país. Conhecida pela eficiência de seu controle de custos, a companhia beirou os 20% em margem de rentabilidade sobre a receita – graças ao lucro de R$ 434 milhões em 2013. “Continuamos líderes em exportação de calçados no Brasil e crescemos ainda mais fortemente no Brasil, chegando a mais de 20% do volume total produzido no país”, explica Francisco Schmitt, diretor de RI da Grendene.

Além do comércio e da indústria calçadista, o Estado chama a atenção por também abrigar companhias líderes em indústrias ainda pouco consolidadas no país. É o caso da Évora, antigo Grupo Petropar, que – mais uma vez – foi alçada à posição de destaque em Plástico e Borracha. Assim como ela, a Innova repete a dose como maior e mais rentável na categoria Petróleo e Petroquímica. Finalmente, os gaúchos também contam com a Ecovix-Engevix. Ao fazer sua estreia em 500 MAIORES, o estaleiro tem surfado na onda da indústria oceânica instalada em Rio Grande – e viu o faturamento dobrar em 2013, beirando os R$ 2 bilhões.