Do carvão ao vento

complexo-termeletrico-Jorge-Lacerda-350Não é à toa que a Tractebel costuma ser vista como a queridinha dos investidores. A companhia está em 10º lugar no ranking das que mais pagaram dividendos nos últimos 15 anos, segundo levantamento realizado pela consultoria Economatica. Ocupa, também, uma posição de destaque em um setor que – na maioria das vezes – oferece poucos riscos ao acionista. É a maior geradora privada de energia do Brasil, com capacidade para produzir o equivalente a 6% de tudo que sai das usinas do país. Além disso, combina os bons preços do mercado livre no curto prazo com a estabilidade dos contratos do mercado regulamentado. Assim, ela consegue se sobressair mesmo nos momentos em que o setor energético anda de lado – como em 2013.

A matriz da Tractebel é diversificada e descentralizada. Conta com usinas hidrelétricas, termelétricas  – de carvão e de biomassa – e eólicas, localizadas nas cinco regiões do Brasil. Assim, quando falta água nos reservatórios, a empresa consegue compensar em outra ponta. Em 2013, registrou um crescimento de quase 13% na receita bruta. Já o lucro líquido alcançou R$ 1,4 bilhão. Aliás, preservar a rentabilidade do acionista é um valor inegociável para a Tractebel. “Já ficamos de fora de alguns leilões em que a competitividade era maior e as condições não eram tão atraentes quanto as que imaginávamos”, explica Eduardo Sattamini, diretor financeiro e de RI da companhia.

O desafio, agora, é manter números tão expressivos mesmo em um cenário mais difícil, como o que vem vigorando em 2014. A estiagem se intensificou e os reservatórios de algumas hidrelétricas registram os piores níveis desde o racionamento de 2001. Tanto que, neste ano, a Tractebel precisou captar energia no mercado de curto prazo para cumprir os contratos arrematados nos leilões do governo federal. Saiu caro: o lucro líquido do segundo trimestre caiu 77,2% em relação ao do mesmo período do ano anterior. “No acumulado do ano, a Tractebel deve ter um resultado positivo, mas dificilmente será o mesmo que o do ano passado”, avalia André Trein, analista da Fundamenta Investimentos.

De qualquer forma, a companhia segue investindo. A aposta, agora, são as fontes de energia renovável como o complexo eólico do Ceará e uma usina solar em Santa Catarina. É mais um passo no processo de diversificação – e pode ser o trunfo da Tractebel para superar bem o atual momento do setor.