A liderança tem seu preço

fabrica-abu-dhabi-iPressão de custos fez a BRF aplicar reajustes e perder mercado, mas medida pode trazer bons resultados no futuro

A combinação de altas cotações de milho e a valorização do real ante o dólar derrubou o lucro líquido da Brasil Foods (BRF) no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período de 2015. Com um ganho de R$ 31 milhões, o resultado foi 91,6% menor. No Brasil, a demanda contraída e a necessidade de reajustar os preços em mais de 7% no final de maio fizeram o volume de vendas cair cerca de 8%. A estratégia levou a maior companhia de Santa Catarina, segundo o ranking 500 MAIORES DO SUL, a perder aproximadamente dois pontos de share desde o início do ano, já que a concorrência retardou a subida dos preços. Mesmo assim, a BRF segue na liderança, com mais de 57% do mercado.

“Novos ajustes de preço poderão acontecer, mas em menor magnitude. Os maiores impactos da desaceleração econômica parecem já ter ficado pra trás, e esperamos uma recuperação gradual para o final de 2016”, revela Alexandre Borges, diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores.  Na avaliação de especialistas, a tática da BRF pode gerar bons resultados. “Não faz sentido congelar preço por conta de ganho de share. A companhia acerta ao mirar na rentabilidade. No longo prazo, o papel da empresa é muito bom”, atesta Flavio Conde, analista da corretora paulista WhatsCall. As operações do exterior (a empresa está presente na África, Oriente Médio, Ásia, Europa e América Latina), com preços médios e volumes maiores, garantiram um aumento da receita líquida de 7,6%. De abril a junho, a BRF investiu R$ 795 milhões para sustentar essa expansão, concluindo a aquisição das argentinas Calchaquí e Campo Austral, e aumentando de 40% para 100% sua participação na composição da AKF, distribuidora sediada em Omã. No final de junho, a BRF aprovou a constituição da subsidiária “Sadia Halal”, focada exclusivamente nos mercados muçulmanos. “A criação de uma empresa independente permite acelerar nosso crescimento no Oriente Médio onde a população cresce mais de duas vezes a média mundial”, argumenta Pedro Faria, CEO global da BRF. Há apostas de que o desenvolvimento da Halal se dará via abertura de capital, um caminho já tentado, sem sucesso, pela concorrente JBS. Não é simples manter a liderança.