E não é que a carne continua forte?

O susto foi grande. A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, em março deste ano, investigou a adulteração de carnes por parte de grandes frigoríficos no Brasil e colocou sob suspeita uma das principais forças econômicas do país e de Santa Catarina. Líder em exportação de carne suína e segundo colocado na venda de frango para o exterior, o Estado sentiu o impacto da repercussão negativa da denúncia no mercado internacional. Alguns países suspenderam temporariamente a importação, como foram os casos da Arábia Saudita e da China. A BRF teve unidades fora de Santa Catarina investigadas, e suas vendas internacionais caíram. Porém, graças aos esforços das empresas da região para reafirmar a qualidade dos seus produtos, Santa Catarina passou pelo turbilhão com poucos arranhões – e, de quebra, conseguiu angariar novos mercados. Foi o caso da Coreia do Sul que, depois de dez anos de negociação, autorizou a importação de carne suína. No total, as vendas de carne de frango e de porco para o exterior cresceram nos oito primeiros meses do ano, o que resultou num faturamento 11% superior ao do mesmo período de 2016. As carnes continuam a responder por quase um quarto do valor dos embarques internacionais catarinenses, que entre janeiro e agosto totalizaram US$ 5,7 bilhões, cifra 14,3% maior que o do ano passado.

Principais portas de saída dos produtos catarinenses, os portos estaduais têm investido para manter Santa Catarina como destaque na rota do comércio exterior. Em agosto, Imbituba começou a receber navios de grande porte de uma linha comercial da Ásia.  O complexo portuário catarinense ainda é alvo de interesse de investimentos privados bilionários – caso da China Communications Construction Company (CCCC), que assinou um memorando de entendimento para a construção do Terminal Graneleiro Babitonga (TGB), em São Francisco do Sul. Anunciado em 2012, o projeto de R$ 1,6 bilhão pode ter ganhado o pontapé necessário para sair do papel. Além do TGB, São Francisco é destino de outros três projetos privados que podem injetar R$ 5 bilhões na região.

Enquanto aguarda a confirmação dos investimentos nos portos, o governo comemora os resultados de dois anos da Investe SC, agência de atração de investimentos operada em parceria com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Os 20 projetos viabilizados, que já se encontram em operação ou em fase de implementação, aportaram R$ 1,9 bilhão no Estado. Glauco Côrte, presidente da Fiesc, destaca o sucesso da parceria entre os setores público e privado, que tem possibilitado um ambiente de confiança às empresas locais e atrativo aos novos negócios. “Aqui existe a consciência de que o que melhora a arrecadação é o crescimento da economia, e não o aumento de impostos”, elogia Côrte.