A crise chegou a Santa Catarina

sc-investeCom produção e arrecadação menores, Estado luta para se manter atraente a novos investimentos

Há um ano, Santa Catarina ostentava o título de um dos poucos Estados a conseguir manter a cabeça fora da crise econômica. Em setembro de 2015, a Secretaria da Fazenda fazia previsões de leve crescimento do PIB. O Estado se orgulhava do equilíbrio entre receita e despesa, condição invejada Brasil afora. Porém, a recessão chegou. A atividade econômica caiu 4% no ano passado. No mais recente índice divulgado pela Secretaria da Fazenda, no acumulado de 12 meses, de junho a junho, o PIB recuou 5,2%. É verdade que em termos fiscais o Estado permanece um dos mais equilibrados – mas até isso corre perigo. Com menor produção, a arrecadação vem diminuindo neste ano e o governo tem de lidar com pedidos de reajustes dos servidores.

Enquanto aguarda as reformas estruturais do governo federal, Santa Catarina tenta fazer a sua parte. O governador Raimundo Colombo descarta elevar impostos. E a decisão, segundo ele, é uma forma de continuar atraindo empresas. A baixa nos recursos públicos também não deve afetar a continuidade do Pacto por SC, plano que prevê R$ 10,7 bilhões em melhorias de infraestrutura nas áreas de saúde, transportes, educação e segurança até 2019.

O governo estadual se uniu à Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) na criação da agência Investe SC, que está em operação há quase um ano. Mais de 50 empresas estudam instalar-se no Estado, em negócios que ultrapassam R$ 1 bilhão. Além da prospecção, a Investe SC colabora com as empresas locais em expansão – ou em recuperação judicial. “Atuamos também para evitar o desinvestimento. Buscamos investidores que recuperem ativos em dificuldade”, explica Diógenes Feldhaus, presidente da agência.

As companhias que têm interesse em  investir no Estado são, na maioria, dos setores automotivo, logístico e agroalimentar. Esse, aliás, tem tido papel fundamental para que a engrenagem econômica catarinense não pare. Apesar de enfrentar obstáculos na margem de lucro devido à alta do milho, o setor de alimentos foi responsável pela maior fatia de investimentos da indústria no ano passado (38%). Muito da disposição da agroindústria se sustenta no mercado externo, que tem garantido bons resultados a empresas como BRF, Aurora e Pamplona, destaques entre as 100 maiores de Santa Catarina. Mas nem todos os setores compartilham do mesmo entusiasmo. A expectativa é que, com a recuperação gradual da confiança do empresariado, os projetos saiam do papel. “As empresas só recuperam o apetite para investimentos quando sentem que a instabilidade política começa a dar lugar a uma maior segurança no ambiente empresarial. Com a volta da confiança, os aportes tendem a ocorrer”, afirma Paulo de Tarso Guilhon, consultor de economia da Fiesc. “E são os investimentos que comandam a economia.”