Para além da água

Maior produtora de energia hídrica do mundo no ano passado, Itaipu promove a geração de outras energias sustentáveis

itaipu_binacional_md-1Depois de um período de estiagem, que provocou racionamento de energia em todo o Brasil, em 2014, a Itaipu Binacional recuperou o posto de maior produtora de energia hídrica do mundo no ano passado. A hidrelétrica situada em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, produziu 89,2 milhões de megawatts-hora (MWh), superando a gigante chinesa Três Gargantas.  Se São Pedro continuar brindando o Sul com chuvas neste ano, a estatal provavelmente chegará à marca histórica de 100 milhões de MWh. Até agosto, foram produzidos 69 milhões de MWh.

Cada uma das 14 turbinas verte 700 mil litros por segundo, formando um espetáculo à parte – tanto que a usina virou ponto turístico, tal como as cataratas de Foz do Iguaçu, sua vizinha.  Mas Itaipu é mais do que água quando se trata de energia. Desde 2014, quando assinou uma parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás (CIBiogás), ela tem sido campo de estudos e de testes para utilização do biogás como combustível veicular. Cerca de 17% da frota da companhia é alimentada pelo biometano, produzido a partir de dejetos de animais de uma granja também participante do projeto. O objetivo é dobrar a frota para 86 carros até o final do ano e aumentar a escala de produção do combustível para consumo externo. Aos 32 anos, Itaipu também investe para se manter “em forma”.  Sem poder se dar ao luxo de uma parada técnica – afinal, a hidrelétrica atende a 15% do consumo de energia do Brasil e a 75% do Paraguai –, a estatal está com um programa de atualização tecnológica que deve ser finalizado até 2030. Hoje, estão sendo levantados os sistemas e equipamentos que serão substituídos no complexo, o que abrange as unidades geradoras, a casa de força e algumas subestações. “Alguns dos sistemas eletromecânicos e eletrônicos instalados migrarão para uma tecnologia digital, que permite um melhor monitoramento do processo de geração, maior performance e diagnósticos mais precisos para atender aos novos requisitos dos sistemas elétricos brasileiro e paraguaio”, detalha Margaret Groff, diretora financeira executiva da Itaipu. O programa deve custar US$ 400 milhões – dinheiro graúdo, mas não para a escala de Itaipu!