O rei do consignado

Há 22 anos, o Paraná Banco oferece o crédito consignado entre seus produtos. Nessas duas décadas, o banco ganhou o reconhecimento no mercado como um dos principais especialistas na operação. Recentemente, a instituição financeira do Grupo J. Malucelli resolveu abraçar a sua especialidade por inteiro. Encerrou a concessão de empréstimos a empresas e a pessoas físicas na modalidade home equity, na qual o imóvel serve como garantia, para operar somente com o consignado. Ao final do primeiro semestre deste ano, o empréstimo com desconto na folha salarial respondia por 88% da carteira de crédito do banco.

A intenção, segundo Cristiano Malucelli, presidente do Paraná Banco, é buscar a excelência no principal negócio da instituição. “Quanto mais produtos, maior a complexidade e a dispersão de foco”, comenta. E para um banco assumidamente conservador, a concentração da carteira numa modalidade como o consignado é, de fato, a mais coerente. Menos suscetível às crises econômicas, por trabalhar com o desconto em folha de servidores públicos ou aposentados e pensionistas do INSS, o consignado costuma apresentar taxas de inadimplência bem menores que as registradas em outros formatos de empréstimos. Embora casos de atrasos salariais por parte de governos estaduais e municipais estejam mais frequentes, o Paraná Banco entende que o consignado ainda apresenta riscos pequenos e margens atraentes. Para se precaver dos maus contratos, Malucelli afirma que o banco analisa os riscos de cada convênio público e limita as operações conforme a situação fiscal de cada governo.

O conservadorismo que pauta as decisões do banco, porém, não pode ser confundido com resistência ao novo. Seguindo os passos das corretoras de valores, o banco lançou uma área de investimentos 100% digital, tornando desnecessária a ida do cliente a uma agência para abrir conta ou fazer aplicações. Um aplicativo também foi criado para permitir as mesmas facilidades. Para Malucelli, a tecnologia é o principal meio para melhorar as experiências dos clientes com o banco, que encerrou o segundo trimestre do ano com R$ 2,8 bilhões de patrimônio sob sua gestão.