Para não deixar a peteca cair

Depois da saída da GVT, o Paraná quer superar a venda do HSBC. E já há candidatas para assumir a lacuna deixada pelas gigantes
unidadepuma_1_acervoklabinOs índices das 100 maiores do Paraná tem sido um sobe e desce nos últimos três anos. A saída da GVT do território paranaense derrubou o patrimônio e a receita líquida das gigantes do Estado em 2014. O Paraná, em 2015, recuperou-se, como se vê nos gráficos ao lado. Mas outro personagem da elite empresarial pode interromper a trajetória ascendente. O HSBC deve ter seus resultados incorporados ao balanço do Bradesco a partir do segundo semestre deste ano.

Se um player de peso do setor financeiro começa a deixar definitivamente o Estado, outro, jovem e promissor, dá o ar de sua graça. O Banco Sistema, braço de financiamentos do BTG Pactual, mais que dobrou sua receita em 2015. Curiosamente, o banco corresponde a uma parte do Bamerindus posta à venda no final da década de 1990 e que ficou sem comprador até dois anos atrás. A outra parte, a de varejo, havia sido adquirida pelo HSBC. Presente pela segunda vez no ranking, os números do Sistema ainda são pequenos se comparados aos do HSBC, mas, em um ano, tiraram a instituição das últimas colocações para o top 10 das 100 maiores do Paraná. O Estado terá, provavelmente, outro reforço importante para amenizar – ou mesmo evitar – mais um revés dos índices. Com início da operação da fábrica de celulose em Ortigueira (PR), a Klabin quadruplicou o seu lucro líquido no segundo trimestre. O impacto da produção foi sentido, inclusive, nas exportações paranaenses. A receita com a venda de celulose passou dos milhares para os milhões no acumulado de nove meses do ano: de US$ 949,9 mil para US$ 196,7 milhões.

Outros itens que alavancaram o valor das exportações foram soja, milho e automóveis. Para Daniel Nojima, diretor do Centro de Pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), o comércio exterior tem sido uma pequena, porém importante, porta de saída para a indústria do Estado. Que o diga a Renault, que foi fortemente afetada pela queda das vendas de veículos no país. A montadora quer se recuperar com a retomada das negociações com a Argentina, que derrubou algumas barreiras de importação no final de 2015. Em março, a Renault contratou por seis meses 550 trabalhadores para atender ao aumento de pedidos do país vizinho.

O comércio exterior, porém, não será o salvador da pátria paranaense. “É uma contribuição importante, mas marginal. Não chega a promover a recuperação de fato”, afirma Nojima. Até junho, o PIB caiu 3% na comparação com o mesmo período de 2015, segundo o Ipardes. É verdade que os tombos da atividade econômica do Estado costumam ser menores dos que os do Brasil. O PIB do país teve queda de 4,6% no primeiro semestre. Mas isso não significa que o Paraná conseguirá reagir mais rápido. “Se a retomada acontecer, será bem lenta. Poderemos ter resultados melhores por causa da agroindústria. Mas, em indústria, serviços e comércio, a tendência é seguirmos o que estiver acontecendo no cenário nacional”, resume Nojima.