Retomada a caminho

Em nenhum Estado do Sul as cooperativas de produção roubam tanto a cena quanto no Paraná. Entre as 100 primeiras maiores empresas paranaenses, 16 são cooperativas – no Rio Grande do Sul, sete; e em Santa Catarina, três. Somadas, elas alcançaram R$ 43,5 bilhões em receita líquida. O clube das cooperativas, aliás, ganhou reforço, em 2016, com a entrada de mais quatro delas entre as top 100. Mesmo em um ano ruim para o campo no Paraná, em que o PIB da agropecuária recuou 3,5%, somente duas cooperativas presentes no ranking de AMANHÃ não conseguiram elevar suas receitas – que não raro ficam na casa dos bilhões de reais.

Bilionária é também a meta almejada pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) para 2020. Depois de suas 221 filiadas alcançarem um faturamento de R$ 70 bilhões no ano passado, a ambição é alcançar R$ 100 bilhões daqui a apenas três anos. Para quem acompanha o cooperativismo paranaense, a meta se mostra bastante viável, principalmente com a recuperação da agropecuária do Estado – que, neste ano, deve crescer acima dos 6%, segundo algumas projeções. “Temos percebido maiores investimentos, novos projetos de expansão e a contratação de mais mão de obra”, revela Francisco José Gouveia de Castro, economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Segunda maior cooperativa do Paraná, a C. Vale, sediada em Palotina, confirma a percepção de Castro: no início do ano, anunciou a abertura de 1,1 mil vagas de emprego, destinadas a duas de suas unidades – um abatedouro de frango e um novo frigorífico de peixe.

Já a Coamo, a maior cooperativa da América Latina, dá prosseguimento ao plano de investimento de R$ 1 bilhão até 2020. Cerca de R$ 140 milhões estão sendo direcionados para melhoria nas suas estruturas de armazenamento, transporte e escoamento no Porto de Paranaguá, uma das principais saídas dos produtos que exporta. A venda para os mercados internacionais representa 35% da receita da Coamo, que é a segunda maior exportadora do Paraná.

Na frente da Coamo, está somente a Renault, representante de outro segmento que tem encorpado os resultados da economia paranaense neste ano. A produção industrial do Paraná teve crescimento de 2,5% no primeiro semestre, sustentada principalmente pelo aumento das produções de máquinas e equipamentos – que se beneficiaram da retomada da agropecuária – e veículos automotores. Esse setor tem sido favorecido pela maior demanda externa, principalmente da Argentina. A engrenagem da economia paranaense parece estar, aos poucos, recomeçando a se mover após dois anos consecutivos de recuo do PIB. Até os setores que costumam ser os últimos a sair da recessão, caso de comércio e serviços, fecharam o semestre em alta e com desempenho superior à média brasileira. “A atividade econômica do Paraná tem tido um crescimento consistente, o que deve resultar na reação do PIB e em uma recuperação mais rápida que a do Brasil”, aposta Castro.