Preparando donas do próprio destino

escolhida_editadaPwC cria o Centro de Governança para Empresas de Controle Familiar que oferece suporte às estratégias de potencialização dos negócios

O jogo está se tornando cada vez mais duro e imprevisível para companhias de todos os portes – mas o desafio é ainda maior para organizações dirigidas por famílias empresárias. Com o objetivo de potencializar os negócios e perpetuá-los, a PwC criou neste ano o Centro de Governança para Empresas de Controle Familiar. “O cenário mais globalizado e competitivo trouxe a necessidade de organizar a empresa familiar para que possa concorrer ou mesmo sobreviver nessas condições. E a recente crise econômica brasileira deu ainda mais importância a uma postura proativa”, diagnostica Carlos Peres, sócio líder para a região Sul, desde julho do ano passado.

A área tem uma equipe multidisciplinar de aproximadamente 30 profissionais que estão direta e indiretamente envolvidos com o atendimento a empresas familiares. O grupo conta, ainda, com o suporte de uma metodologia desenvolvida pelo economista e professor José Paschoal Rossetti, da Fundação Getulio Vargas (FGV). A consultoria da PwC – que abarca os âmbitos da governança corporativa, familiar e societária – procura ir além da sucessão propriamente dita, um dos processos mais espinhosos  em companhias familiares. Uma resposta da PwC para harmonizar transições de poder é a Escola de Acionistas. A  iniciativa procura desenvolver a trajetória de vida e carreira do acionista dentro ou fora dos negócios da família. “Nosso foco está na geração de valor humano, social, intelectual e financeiro, de modo a valorizar a sustentabilidade dos ativos familiares”, diz Peres, que também atua na coordenação do capítulo paranaense do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em Curitiba. “Costumamos dizer que lidamos com a agenda do dono, mas colocando como principais pontos de apoio o papel dos acionistas e o futuro do negócio”, conta ele.

Entre as 50 empresas com maior Valor Ponderado de Grandeza (VPG, o principal indicador do ranking 500 MAIORES DO SUL), 34% são originalmente companhias familiares. Entre elas estão nomes de peso como as paranaenses Gazin, Klabin e Cálamo (distribuidora de cosméticos das marcas Boticário e Eudora), as catarinenses Hering, Weg e Tupy ou ainda as gaúchas Gerdau, Randon e Tramontina. Nos cálculos da PwC, depois de até dois anos da implantação das práticas de governança em companhias de controle familiar, é possível elevar em 10% a receita anual.

Sugerir caminhos para a aplicação do lucro é outro diferencial do serviço oferecido pela PwC. A companhia percebeu que uma das principais dúvidas das empresas familiares é em quais setores aportar recursos para mitigar o risco do negócio principal. Do Paraná para baixo, segmentos dominados por famílias empresárias, como varejo, agronegócio e portos, têm sido focos de intensa consolidação nos últimos anos. “Por essa razão, uma companhia de controle familiar deve se preparar para ser dona do seu próprio destino e para ser também a grande protagonista diante de oportunidades que possam surgir”, aconselha Peres.

Até julho, foram concretizadas no Brasil 329 negociações de fusões e aquisições ante 460 do ano anterior, de acordo com a PwC. O Sul manteve o segundo posto em número de operações, com 16%. Foram efetuadas 54 negociações na região, número próximo ao do mesmo período de 2015 – no país, a queda foi de 28%.

A aposta da PwC na gestão de empresas familiares e na expansão no Sul fez com que se incorporasse ao escritório de Porto Alegre o sócio Rafael Biedermann Mariante. Com passagens por São Paulo e pelos Estados Unidos, onde participou de um intercâmbio na PwC em Detroit, trabalhando na Ford e em outras companhias privadas, Biedermann reforça o quadro da PwC desde julho. O novo sócio é sobrinho de Carlos Biedermann, que comandou a organização na região Sul por 13 anos.