Quando tamanho é documento

price-350Um em cada três empresários do sul afirma que pretende comprar ou vender sua empresa. Para quase metade (46%) dos líderes, o maior desafio em um processo de aquisição é encontrar companhias saudáveis. Esses dados fazem parte da pesquisa “Força do Sul”, lançada em maio por AMANHÃ e pela consultoria PwC, também parceira no projeto 500 MAIORES DO SUL. Criada em 2011, a área de fusões e aquisições da PwC para a região foi desenvolvida com o propósito de propagar entre os empresários do sul a ideia de que tamanho é documento, sim, especialmente em conjunturas difíceis, quando os negócios precisam adquirir maior escala e eficiência. A divisão de M&A (sigla, em inglês, para fusões e aquisições) conta com equipes nas cidades de Curitiba e Porto Alegre, especializadas em processos de diligência nas áreas contábil, fiscal, trabalhista e financeira e de reestruturação de dívidas.

Com uma fatia de 13% do total de transações realizadas no país, nos últimos anos, o sul é a segunda região com maior atividade de fusões e aquisições, atrás somente do sudeste.  O volume de transações do Paraná para baixo apresentou expansão em todos os anos, desde 2009, com crescimento acumulado de 114%, atingindo a marca de 94 operações no ano passado. “A consolidação está longe de ter terminado, especialmente em alguns segmentos. A competição global, que se acentua cada vez mais, põe em perspectiva a necessidade das empresas de se fortalecerem para sobreviver”, diagnostica Carlos Biedermann, sócio da PwC Brasil e líder para a região sul. Biedermann acredita que o agronegócio será a grande fonte  de futuras consolidações. Para ele, casos como o da compra da Sadia pela Perdigão, em 2009, podem se repetir dentro da cadeia agrícola do sul. “Apesar da vocação agrícola, os setores de tecnologia e serviços têm sido os líderes em consolidações na região, principalmente nas capitais e nos principais corredores econômicos, como Joinville, Maringá e a serra gaúcha”, completa Alexandre Borborema, diretor da PwC Brasil. Especialista em M&A, Borborema foi transferido de São Paulo para Curitiba, em novembro do ano passado, para fortalecer a atuação local da PwC no sul. “As companhias da região são consolidadoras também. Veja os exemplos das catarinenses Tigre e Weg, por exemplo, que buscaram oportunidades além de suas fronteiras”, recorda Alessandro Ribeiro, sócio da PwC Brasil e especialista em corporate finance.

O trabalho da PwC começa, na verdade, por convencer as empresas de que é essencial discutir clara e abertamente as oportunidades presentes no mercado – e jamais descartar algum tipo de associação com uma concorrente ou, mesmo, a compra ou venda do negócio. O passo seguinte é preparar a companhia para o processo de negociação, de modo a valorizá-la. A busca por parceiros adequados, a assessoria na transação e a posterior integração também fazem parte do serviço oferecido pela consultoria. “A negociação até pode ser o processo menos árduo. Complicado é o day after, pois envolve alinhamento de culturas, avaliação de sinergias e otimização de processos internos”, revela Biedermann. Grande parte da disseminação dessa nova filosofia para a elite corporativa do sul fica a cargo dos escritórios regionais da PwC. Em maio, a consultoria inaugurou a unidade de Maringá, no norte paranaense, que se junta às outras quatro em toda a região. Com equipes locais, a PwC ajuda a conduzir e orientar a discussão entre preservar o legado dos fundadores ou deixar um patrimônio para a família. Qualquer que seja a opção, a perspectiva deve ser sempre o fortalecimento do negócio – e, vale dizer, da economia do sul como um todo.