A decolagem está, enfim, autorizada

01_Capa-_-500Em 2012, quando a economia brasileira andou de lado, o conjunto das maiores empresas do sul encerrou o ano com um desempenho surpreendente, mantendo o ritmo dos anos anteriores. Já era de se esperar, portanto, que em 2013, quando o PIB nacional cresceu 2,3%, o cenário fosse ainda melhor. E, de fato, foi. Tanto é que as economias do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul cresceram, em média, 5%.

Quem confere os números ao lado, porém, pode ficar confuso: em alguns indicadores básicos, como Valor Ponderado de Grandeza (VPG) e receita bruta, a soma das 500 maiores empresas da região decaiu. A explicação é prosaica: trata-se do efeito provocado pela saída da Vivo – que, até o ano passado, despontava na quarta posição do ranking. Tradicional líder da categoria Telecomunicações, a operadora concluiu seu processo de incorporação pela Telefônica, cuja sede fica em São Paulo. Assim, deixou de consolidar o balanço em Curitiba.

Apesar da ausência da Vivo, em 2013 a soma das receitas brutas das 500 maiores do sul esteve bem próxima dos resultados verificados no ano anterior. Em 2012, o valor total foi de R$ 509,3 bilhões; no ano passado, chegou a R$ 502,2 bilhões – um recuo de 1,4%. Se a Vivo permanecesse no ranking, a soma ganharia um acréscimo importante: sozinha, a companhia registrou um faturamento superior a R$ 34 bilhões em 2013.

Idas e vindas não representam nenhuma novidade no ranking de 500 MAIORES DO SUL. Entre os desfalques recentes, é possível citar a aquisição da Spaipa, representante paranaense da Coca-Cola, pela

Femsa, e a mudança da sede administrativo-financeira da Braskem para São Paulo. Recentemente, a Bunge cogitou não mais consolidar suas demonstrações financeiras em Gaspar (SC), migrando também para São Paulo. Mas, depois de muita negociação, acabou convencida pelo governo catarinense a permanecer – por isso, segue presente no levantamento de AMANHÃ e PwC.

O Paraná acelera

Quanto à representatividade dos Estados no ranking, Santa Catarina segue distante do Paraná e do Rio Grande do Sul. Cada vez mais distante, diga-se. O número de empresas catarinenses caiu de 124 para 116. Nesse quesito, os gaúchos seguem em alta, com 202 empresas e ainda à frente do Paraná. Ano após ano, a diferença para o Rio Grande do Sul diminui: era de 26 organizações em 2012; agora é de 20. E não faltam motivos para a aceleração paranaense. “O programa Paraná Competitivo oferece uma série de atrativos que atrai novas empresas para o Estado. Além disso, há investimentos em infraestrutura viária, uma cadeia automotiva bem estruturada e um agronegócio forte, que agrega inovação e tecnologia”, explica Carlos Magno Bittencourt, coordenador do Curso de Ciências Econômicas da PUC-PR.

Ainda que conte, hoje, com menos empresas entre as grandes do sul, Santa Catarina não perde tempo. De acordo com Nelson Ronnie, superintendente da agência do BRDE no Estado, o ambiente empresarial catarinense é propício à atração de novos empreendimentos. Não é à toa que a BMW está instalando em Araquari sua primeira fábrica brasileira. “Na decisão da empresa certamente pesaram aspectos como a nossa infraestrutura portuária, a mão de obra qualificada e um marco jurídico bastante claro”, afirma.

Em qualquer um dos três Estados, no entanto, 2013 foi um ano para ser comemorado. O bom regime de chuvas fez com que os produtores rurais deixassem a desconfiança de lado e apostassem em colher mais – e melhores – grãos. Com isso, multinacionais cujos negócios dependem do campo, como Bunge e BRF, experimentaram consideráveis crescimentos de receita bruta. A Coamo, por exemplo, expandiu sua receita em 15,4%. Já C. Vale cresceu acima dos 30%.

Com os bons ventos, a soma dos patrimônios líquidos das 500 maiores empresas subiu – mesmo com o desfalque da Vivo. A média de rentabilidade também melhorou, de 4,9% para 6,5% sobre a receita líquida. Finalmente, a soma de prejuízos encolheu: saiu de R$ 3,1 bilhões, em 2012, para R$ 1,7 bilhão no ano passado. Mais uma prova do grande peso do agronegócio na economia da região sul do país.